16/07/2025
Projeto desenvolvido em Caxias do Sul transforma crianças e adolescentes em escritores das próprias histórias
Jovens atendidos pelo Centro Assistencial Vitória, no bairro Planalto, estão escrevendo e ilustrando as obras, que devem ficar prontas até o fim do ano. Um dia de autógrafos está sendo organizado para eles apresentarem os trabalhos às famílias.
Crianças e adolescentes moradores da região do bairro Planalto, em Caxias do Sul, estão dando os primeiros passos como escritores e ilustradores. Isso porque jovens de seis a 15 anos, atendidos pelo Centro Assistencial Vitória (CAV), participam do projeto Super Autor, uma plataforma do Rio de Janeiro que possibilita as produções.
Eles estão escrevendo, desenhando e retratando livros baseados nas experiências e no olhar deles. A ideia surgiu com a educadora social Maria Lilith da Silva Cruz da Silva, que descobriu a iniciativa por meio das redes sociais e debateu a ideia com a direção do CAV.
O Super Autor oferece a plataforma onde serão inseridos os textos e as imagens desenvolvidos pelos jovens. Esses materiais podem ser encaminhados digitalizados ou escaneados — o que garante a grafia própria de cada. A escolha foi pelo envio em meio digital por ser mais prático, segundo Maria Lilith.
O projeto começou a ser desenvolvido em maio, e as produções serão concluídas em outubro. Os livros físicos estão previstos para chegarem em dezembro, quando ocorrerá um dia de autógrafos. Será feita uma unidade de cada obra dos alunos.
— Percebo que é uma forma de dar protagonismo, autonomia e eles poderem se expressar através dessas histórias, porque quando propomos as histórias, busco que eles contem algo realmente autoral, que falem de suas vivências, dos seus sonhos, da sua ancestralidade — descreve a educadora social.

"Percebo que é uma forma de dar protagonismo", afirma a educadora social Maria Lilith. Ulisses Castro / Agencia RBS
Cada livro terá 12 páginas, seis de textos e seis de ilustrações. Serão, no total, 120 livros impressos com nome, foto e biografia do autor. O processo de criação da história conta com etapas para incentivar a escrita, a criatividade e a expressão artística. As turmas são divididas por faixa etárias, sendo um grupo dos 6 aos 8 anos, outro dos 9 aos 11 e mais um dos 12 aos 15.
Maria Lilith conta que alguns dos alunos mais velhos optaram por livros com rimas e músicas, enquanto os pequenos reproduziram histórias de jogos virtuais, por exemplo.
— O mais impactante para mim é quando elas terminam as histórias, eu digitalizo e elas olham o texto na impressão: "Nossa, profe, meu texto, estou me sentindo realmente um autor, um escritor". Acho que dá esse poder para a criança.
“Me senti uma autora”
— Foi uma experiência muito legal, gostei muito porque me senti uma autora de verdade.
A frase da jovem Diele Raiane Santos da Silva, 12 anos, é apenas uma das tantas definições positivas que o projeto levou para as crianças e adolescentes do CAV. Aluna da escola Escola Municipal de Ensino Fundamental Guerino Zugno, ela frequenta o Centro Assistencial Vitória no contraturno. O livro dela já está pronto e tem como título Nem todo cão que late morde.
— Eu conto sobre um menino que tinha muito medo de cachorro porque na infância foi mordido. Ele tentava às vezes chegar perto, mas não conseguia. Só que os pais deles decidiram adotar um cachorro. O menino tinha um irmãozinho, que estava recém aprendendo a andar, e chegou perto da escada. Ele ia cair, o cachorro mordeu a blusa e salvou ele. Daí, depois isso, ele começou a ter mais confiança, a querer se envolver mais com o cachorro, e percebeu que nem todo cachorro que late, morde, que não podemos julgar pelas aparências — explica Diele.

Igor e Diele junto com a professora Maria. Ulisses Castro / Agencia RBS
Igor Breno Penna de Lima, 11, também aluno do Guerino, é outro que gostou de participar do projeto. A história escrita e ilustrada por ele é sobre as aves que já teve na sua vida e tem como título Aves Carinhosas. Mesmo pequeno, já tem sonhos para o futuro: quer ser artista de rua.
— Eu gostei (de fazer a história) porque aconteceu na minha vida. Eu já tive várias aves e hoje só tenho uma. Eu gostei de escrever porque aprendi mais na leitura e escrita, e gostei de desenhar também, porque desde os oito anos eu desenho. Comecei com (bonecos) palito, e agora (está) mais ou menos realista. Foi legal, quase chorei — relembra Igor.
Super apoiador
Para que as histórias realmente se tornem livros físicos, o CAV busca o apoio de empresários, parceiros e da comunidade em geral para viabilizar a impressão dos exemplares. A formatação e edição do livro na plataforma do Super Autor não tem custo, mas a impressão, sim. Cada livro custa cerca de R$ 76 reais, totalizando aproximadamente R$ 9 mil reais.
Com isso, a comunidade pode auxiliar realizando doações de qualquer valor via Pix. A chave é o e-mail: [email protected].
Fonte: ClicRBS